A moda vai (e deve) incorporar a tecnologia?

Em 2013, o designer Michael Schmidt, famoso por assinar a capa da revista Rolling Stone que retrata uma Lady Gaga completamente tapada por bolhas transparentes, chamou a atenção ao trazer a tecnologia para dentro do seu processo de produção. Ele construiu, sob medida, um vestido completamente feito em uma impressora 3D.

A ideia, mesmo que não seja exatamente nova, traz à tona um debate atual: será que a moda vai incorporar a tecnologia de vez? Algumas marcas já começam a mostrar sinais de interesse.

Em outubro de 2014, a designer isralense Noa Raviv deu à luz a coleção Hard Copy, onde criou peças usando a impressão em três dimensões. Já a italiana CuteCircuit é famosa por produzir peças banhadas em tecnologia, como vestidos e jaquetas que mudam de padrões de acordo com as configurações no seu celular. As roupas já foram usadas nos palcos por nomes como Katy Perry e Bono Vox, vocalista da banda irlandesa U2.

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A grande pergunta é: vai colar? Aqui no IBB, acreditamos que sim. O designer Vinícius Prado é enfático. Mas por hora, só mesmo como jogada de marketing. “Eu iria um passo pra trás: acho que isso é um reflexo dos dias de hoje. Teve um tempo em que o ser humano era avesso às máquinas, mas agora estamos nos fundindo à elas. A moda, com o papel de ser precursora e anunciar o que vai acontecer, inevitavelmente vai utilizar esse artifício”, diz.

Vinícius lembra que, por enquanto, é bem provável que essas peças continuem sendo usadas só no palco mesmo – ou nas passarelas. “Pra chegar até a gente vai depender do avanço da tecnologia. Agora elas não são coisas factíveis, mas que estão no universo lúdico. Por isso, se formos pensar, ela [a “moda tecnológica”] funciona. Mas não como um investimento real, e sim como um investimento de marketing”, defende.

 

Ela [a ‘moda tecnológica’] funciona. Mas não como um investimento real, e sim como um investimento de marketing

 

Se a tecnologia pode ajudar no processo de produção de moda de maneira prática? A resposta é simples: sim, criando o sonho do consumidor de ter um produto exclusivo, e sem muita demora. “Eu poderia desenhar um vestido e em duas horas ter ele impresso. Sem sombra de dúvida essa tecnologia ajudaria na parte industrial, naquilo que a gente chama de personalização de massa. Vou lá no site da empresa, por exemplo, e digo que quero esse produto com essa cor e essa textura. Depois é só apertar o print.”

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