Adidas traz fábrica de alta tecnologia de volta para a Alemanha

Fazendo treiners com robôs e impressoras 3D

Atrás de portas fechadas na cidade bávara de Ansbach uma nova fábrica está tomando forma. Usar robôs e técnicas originais de produção como fabricação aditiva (conhecida como impressão 3D) não é surpreendente para a Alemanha que manteve a sua base de fabricação através de engenharia inovadora. O que é único nesta fábrica é que ela não fará carros, aeronaves ou eletrônicos, mas trainers e outros tênis esportivos – uma indústria de 80 bilhões de dólares anuais que teve grande parte de sua fabricação transferida para a China, Indonésia e Vietnã. Ao trazer a produção de volta para casa, essa fábrica está prestes a reinventar a indústria.

A Speedfactory, como é chamada a fábrica de Ansbach, pertence à Adidas, uma enorme empresa Alemã de artigos esportivos, e está sendo construída pela Oechsler Motion, uma empresa local que produz equipamentos de fabricação. A produção está agendada para começar na metade de 2017, mais devagar inicialmente e depois subindo para 500.000 pares de trainers por ano. A Adidas está construindo uma segunda Speedfactory próximo à cidade de Atlanta para o mercado Americano. Se tudo der certo eles irão aparecer em outros lugares também.

Os números são pequenos para uma empresa que faz 300 milhões de pares de calçados esportivos por ano. Ainda assim, a Adidas está convencida que a Speedfactory irá ajudar a transformar a forma que trainers são criados. As técnicas colhidas do projeto podem ser então implementadas em outras novas fábricas assim como em fábricas já em operação, incluindo na Ásia – onde a demanda de calçados esportivos e casuais está aumentando junto com a riqueza do consumidor.

Atualmente, trainers são feitos basicamente à mão em grandes fábricas, normalmente em países Asiáticos, com pessoas montando componentes ou modelando, unindo e costurando materiais. O crescimento da prosperidade na região indica que o custo do trabalho manual terceirizado na está aumentando. A eminente escassez de mão de obra. Certos trabalhos requerem habilidades manuais que estão se tornando cada vez mais raras; muitas pessoas hoje em dia possuem os meios necessários para evitar tarefas que podem ser sujas e monótonas.
Porém, as motivações da Adidas vão muito além do custo de mão de obra. As pessoas querem calçados elegantes imediatamente, mas a cadeia de abastecimento tem dificuldade de se manter. “A forma que o nosso negócio opera é provavelmente o oposto do que os consumidores desejam,” disse Gerd Manz, diretor de tecnologia e inovação da empresa.

Desde o primeiro rascunho de um par de trainers completamente novo até a fabricação e teste de protótipos, solicitação de materiais, envio e reenvio de amostras, reequipar a fábrica, trabalhar na produção e eventualmente envio dos produtos finalizados para lojas, pode levar 18 meses para a indústria. Ainda assim, três quartos de trainers novos estão agora em promoção em menos de um ano. Uma solicitação para reabastecimento de um trainer popular existente em 2015-16, digamos que um em demanda de design – última edição do NMD R1 – pode levar entre 2 a três meses para chegar as prateleiras, a não ser que o calçado não seja enviado por contêiner, mas de forma aérea por um preço muito alto.

Nas suas marcas…
O ponto forte principal da Speedfactory é a diminuição da cadeia de abastecimento e, portanto, o tempo para compra, para menos de uma semana, talvez até um dia, uma vez que o design do trainer estiver completo. O processo de design em si é cada vez mais feito digitalmente. O trainers não são somente estilizados em uma tela de computador, mas também podem ser testados pelo computador em itens como calço e desempenho. Para melhorar o processo a Speedfactory também irá ter um gêmeo digital: um modelo virtual de computador onde a produção de novos trainers pode ser simulada. Uma vez que tudo estiver bem, o produto digital irá para o sistema de produção física.
A Adidas afirma que o seu novo sistema de produção é extremamente rápido e altamente flexível. Por enquanto os detalhes estão sendo mantidos em segredo. O que é sabido, no entanto, é que ao invés de solicitar componentes que vão ser montados para um novo par de trainers, a Speedfactory irá, ao invés disso, fazer grande parte das partes sozinha com matérias brutas como, plásticos, fibras e outras substâncias básicas.

A máquina que fará esse trabalho será altamente automatizada e usará processos tais como, tricô computadorizado, corte robótico e fabricação aditiva, que envolve a construção de formas camada por camada. Máquinas de impressão industrial 3D estão aparecendo de diversas formas e são capazes de lidar com o aumento de variedades de materiais. Dirigido por um software, os robôs, máquinas de tricô e impressoras 3D recebem suas instruções diretamente do programa de design computadorizado, então eles podem fazer a mudança de fazer uma coisa para outra rapidamente sem ter que parar a produção durante o que pode ser diversos dias para reequipar as máquinas convencionais e instruir trabalhadores manuais.

Nem todo trabalho na Speedfactory será automatizado. Robôs podem ser mais lentos e menos precisos em algumas tarefas, tais como na hora de fazer o molde final de um calçado. Então cada Speedfactory irá criar 160 empregos de produção, comparado com milhares ou mais em uma típica fábrica na Ásia. As novas funções também serão muito mais especializadas. A Adidas quer que as novas fábricas complementem as operações na Ásia, não que elas compitam entre si. Mas enquanto o avanço de fabricação expande, a necessidade de exércitos de trabalhadores manuais nas fábricas da Ásia irá certamente diminuir.

Sneakerheads certamente irão aprovar. “Isso irá nos levar para novos produtos que irão parecer e ter desempenhos diferentes,” disse Mr. Manz. Deixando no passado os métodos da produção manual irá permitir a Adidas a criar novas formas e finalizações. Um novo material que a empresa já experimentou é o Biosteel, uma seda sintética feita por AMSilk, uma empresa Alemã de biotecnologia. A produção também irá se tornar mais customizada, talvez até trainers feitos sob medida projetados através de escaneamento computadorizado de como uma pessoa caminha ou corre.
Em um mercado tão competitivo e movido por tendências, uma coisa é certa: A arqui-inimiga da Adidas, a Nike, não irá somente ficar sentada olhando. A empresa Americana está encarando aumentos em custos similares na Ásia e está igualmente buscando formas de diminuir o tempo de entrega de novos produtos no mercado.

Uma de suas iniciativas é uma forma de tricô computadorizado para fazer as partes superiores de uma gama de trainers chamado de Flyknit, muito próximo a forma que meias são tricotadas. A Nike também montou o que é chamado de Centro Avançado de Criação de Produtos em sua Matriz em Beaverton, Oregon, para explorar outros métodos automatizados de produção, incluindo impressão 3D. A empresa já emprega essas técnicas para produzir calçados customizados para alguns atletas de ponta. A corrida entre as maiores fábricas de calçados esportivos do mundo está prestes a se tornar muito mais acirrada.

 

Traduzido de: Economist

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