Artigo: “Estamos no Limiar do Surgimento da Moda Circular e Responsável”

Sustentabilidade

Por Alexandre Gobbo Fernandes, do coletivo Moda Circular e Responsável

A aplicação do modelo da economia circular para redesenhar a indústria de vestuário para que ela funcione de forma benéfica às pessoas e aos ecossistemas desafiará a indústria desde o fornecimento dos materiais e escolhas químicas, até as decisões de fabricação, modelos de negócios e opções de consumo. Este modelo permitirá que o setor de vestuário seja uma força do bem, para colocar melhores práticas em ação hoje e apoiar a inovação do setor no futuro próximo. Isso significa colocar em prática um sistema em que materiais saudáveis para as pessoas e o meio ambiente são usados continuamente, a água é conservada limpa e a energia é de fonte renovável, e as pessoas trabalham com dignidade.


Atualmente existem muitas barreiras para a indústria da moda alcançar um modelo de negócios circular e colaborativo. Algumas delas são primordiais para alcançar um novo modelo mais sustentável, especialmente a transformação de uma cadeia de suprimentos que é tradicionalmente linear e uma mudança na cultura de negócios que hoje depende do fast fashion. Para tanto, é preciso avançar muito em aprofundar o conhecimento limitado atual das abordagens circulares e reconhecer onde está de fato a demanda dos consumidores por produtos melhores e por modelos de serviço e de compartilhamento.


Mas como a indústria da moda poderia começar já a dar escala à adoção de modelos de negócios mais circulares e acelerar a transição para uma economia circular?


O relatório* “Produção e Consumo Circular em Fashion e além”, resultado das discussões do Forum Liderança ODS no “Objetivo 12: Consumo e Produção Responsáveis”, promovido em março pela GlobeScan e C&A Foundation, apresenta alguns insights vindos do próprio setor, que resumimos a seguir:


Três elementos são necessários para progredir:
1) Ações colaborativa dos principais participantes do setor para criar e definir um propósito e uma estrutura para iniciativas circulares.
2) Provas demonstráveis de iniciativas bem-sucedidas que empregaram visivelmente o modelo circular para ajudar a obter apoio da indústria.
3) Expertise aplicado a soluções criativas e uma mentalidade focada no futuro – que já são características da indústria da moda.


Para enfrentar esses desafios será necessário uma ampla gama de soluções. Para tanto será preciso desenvolver várias competências-chave em especial: posicionamento de liderança, abordagem holística dos problemas, capacidade de colaboração e parcerias, e foco em inovação. Inicialmente, um case de negócio forte seria capaz reunir o setor de forma mais ampla e ajudar a vender os benefícios da qualidade e durabilidade aos consumidores.


A capacitação de designers, profissionais do varejo e fornecedores para criar uma compreensão dos processos e princípios circulares, e também ações para tornar os consumidores conscientes do impacto de seus hábitos de compra e educá-los na economia circular, são fatores cruciais para desenvolver novos produtos e dimensionar novas iniciativas de modelos de serviço dos produtos. Em paralelo, influenciar a criação de incentivos e mudanças regulatórias tem um papel fundamental na aceleração da mudança para princípios circulares.


Quatro lições principais podem ser retiradas de outros setores:
1) Ser um precursor para a evolução circular destacará as marcas e varejistas líderes e ajudará a desencadear mais ações.
2) Parcerias são fundamentais para permitir dar escala aos projetos piloto (em consonância com o ODS17).
3) Identificar estudos de casos relevantes e elementos de modelos bem-sucedidos e aplicar aqueles que contribuem para o sucesso. Rotas “testadas e aprovadas” são facilitadores efetivos de resultados positivos e podem promover a colaboração entre empresas. 4) Comprometer-se e demonstrar paixão pelo processo de desenvolvimento de novos padrões de qualidade e a adoção de modelos de negócios circulares por meio de influência, marketing ou campanhas pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma ação.


Por fim, para aumentar a conscientização sobre o tema, incentivar a mudança e acelerar a adoção de modelos circulares e de compartilhamento foi identificada como uma necessidade urgente a criação de plataformas de compartilhamento que possibilitem o progresso em toda a cadeia de valor e a colaboração de vários atores interessados na criação de uma rede para negócios circulares. O desenvolvimento de estratégias e combinação de forças de trabalho para processos mais eficientes parece ser o caminho para acelerar a transição para uma indústria da moda mais sustentável, circular e responsável.

Alexandre Gobbo Fernandes integra o coletivo Moda Circular e Responsável, que será lançado no dia 9 de maio, em Blumenau (SC), durante o SCMC Talks.


Inscreva-se no evento e venha discutir conosco os caminhos para uma produção mais sustentável:
https://www.sympla.com.br/talks-scmc---economia-circular__487189
Saiba mais sobre a atuação do coletivo em:
http://institutobybrasil.org.br/consultoria-em-moda-circular-e-responsavel

*Circular Production and Consumption in Fashion and Beyond, C&A Foundation e Globescan, 2019. https://globescan.com/circular-production-consumption-fashion-ca-foundation-sdg-leadership-forum/

 

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