Comportamento e consumidor: um novo cenário

Descrever a atual relação entre consumidores e marcas é um desafio. Em um momento onde real e virtual se mesclam, novos valores sociais entram em jogo e o compromisso com qualidade e ética nunca esteve tão presente no ato de comprar.

Em entrevista ao IBB, a designer Tatiana Souza traçou alguns apontamentos que dão forma a essa nova Era de Consumo. Especializada em branding e gestão de marcas, ela garante: “De coadjuvante, o consumidor passou a ser cocriador das ações das marcas”.

 

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O que caracteriza esse novo momento que marca a relação entre marcas e seus consumidores?

Gosto muito de uma frase do autor Kevin Roberts, presente no livro Lovemarks: “Quando pensamos em respeito, temos que ter em mente um envolvimento total, pois o consumidor está sempre julgando a sua marca, a cada encontro, a cada contato, o tempo todo.”

Acredito que o consumo está voltado cada vez mais para o campo da emoção. O status torna-se uma motivação secundária e a busca por satisfações emocionais, corporais, lúdicas e relacionais ganha espaço no momento em que o consumidor se envolve com uma marca.

 

E como se dá esse envolvimento?

Ele é baseado em necessidades e interesses comuns. Trata-se de reconhecer seus valores dentro do universo da marca. Hoje os consumidores buscam construir um relacionamento pautado pela transparência, integridade, respeito, ética. As marcas precisam se preparar para entregar corretamente esses valores.

 

o consumidor está sempre julgando a marca,
e punirá qualquer falha

 

Como explicar a busca por uma nova forma de se relacionar ao consumo?

Acredito que isso tem a ver com a questão de pertencimento. Como nos lembra o jornalista e escritor Flávio Paiva, “pertencer é ter e ser parte da alma de um lugar, sua elasticidade afetiva e cultural”. Quando se pensa a respeito, temos que ter em mente um envolvimento total, pois o consumidor está sempre julgando a marca, e punirá qualquer falha.

Nesse momento, antes mesmo de pensar em produto, as marcas precisam fazer uma avaliação de quem são seus consumidores, pois esse agente sai de cena como coadjuvante e se torna o cocriador, o fiscal ou até mesmo o inspirador para as marcas e suas ações.

 

Na prática, quais os valores que devem guiar esse panorama atual? 

O sentimento de coletivo, de humanidade, posto em prática na preocupação às causas sociais. O sentimento de origem, pertencimento, que pode ser visto na valorização da mão de obra local. O sentimento de “meio em que vivemos”, ou seja, pensar a partir da sustentabilidade, preocupando-se em semear o planeta de amanhã. E, por fim, o sentimento de “o que te move”: empreender sem esquecer da ética, da integridade e do comprometimento.

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