Desintoxicando o guardarroupa

“Não tenho roupa”. Quem nunca se pegou de frente ao armário pensando nessa frase, enquanto olha para pilhas de roupas paradas?

Pois é, essa realidade é bem comum.

Pensando nisso Bruna Holderbaum e Milena Faé, ambas formadas em moda, criaram o Closet Detox, uma consultoria de estilo pessoal focada em consumo consciente. Afinal, já parou pra pensar no impacto que todo esse consumo desenfreado de moda tem no mundo hoje?

Em um bate-papo, as sócias falaram sobre como algumas atitudes comuns do dia-a-dia podem ser transformadas, como investir em boas compras, e qual é de fato o consumo mais consciente. “A roupa mais sustentável é aquela que já existe”, contam.

 

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Milena (esq) e Bruna (dir).

 

“É só uma blusinha de 20 reais”

Bruna: Com a revolução do fast fashion, de ter muitas mini coleções por ano, cada vez mais blogs e revistas ditam muitas tendências, e as coisas vão virando obsoletas muito rápido. Claro, eles querem que você volte na loja e compre  outras coisas.

Só que pra essas roupas serem tão baratas, elas não tem qualidade. Não são roupas duráveis, são descartáveis. Aí eu vou no fast fashion e compro uma blusinha de R$ 19,90. Eu sei que ela não vai durar muito, vai ficar cheia de bolinha, mas é só 20 reais. As pessoas não pensam que essa roupa depois vai pra algum lugar. E somando 20 com 20 com 20, daqui a pouco dava pra comprar uma blusa de qualidade, que dure mais tempo. Tudo que é barato, o preço é apertado lá no fim da cadeia: em quem produz.

Milena: Isso tem a ver também da forma como é feito o tingimento da roupa, a composição do tecido, da logística que é feita pra trazer lá do local onde ela foi feita. É importante trazer essa discussão pra fazer as pessoas verem que não é só uma roupa de 20 reais. Tem muita coisa por trás disso.

 

A roupa mais sustentável é aquela que já existe

 

 

Como consumir eticamente? Saindo da zona de conforto.

Bruna: Eu quero consumir ético, mas como eu vou saber onde comprar? As marcas não abrem muito isso [o processo de produção], a não ser que elas se posicionem assim — ok, sou uma marca sustentável, ética. Reaproveitamento, upcycling, comprar menos…isso tudo também vale.  Não precisa refazer o guarda-roupa. É só ter pequenas atitudes.

Esse momento de crise também é legal que as  pessoas começam a buscar, a se dar mais conta. Não é só na moda: na TV eles mostram como reaproveitar comida, por exemplo. Mas isso tem que ser uma mudança definitiva, não só em um momento de crise. Tem que se dar conta que a crise passa, e não precisa voltar a comprar como louca.

Bazares e brechós tão voltando à moda, o que é muito legal porque a roupa mais sustentável é aquela que já existe. Se a gente parasse de produzir roupas hoje, dava pra viver um bom tempo trocando e ressignificando. As pessoas estão perdendo o preconceito de roupa usada, de segunda mão. A coisa mais fácil e rápida é entrar no carro ir no shopping e comprar, claro. Mas temos que sair da zona de conforto.

 

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Aprendendo sobre meu estilo. E então aprendendo a comprar.

Milena: A gente vê que pessoas que compram algo de uma marca porque estava barato, mas não sabe usar. Comprar por comprar não é legal. Tem que ter uma relação com quem usa. Eu lamento que as pessoas comprem assim, porque quando a gente faz a faculdade de moda, a gente vê como é difícil fazer uma roupa. Fazer uma roupa é um orgulho imenso. E a gente trata ela como uma coisa descartável, desvalorizando totalmente a cadeia por trás.

Bruna:  Uma dica que a gente da é sempre que aquele produto tá muito baratinho, pensa se você compraria se o valor fosse normal. Às vezes você ta comprando só porque é baratinho. Normalmente nossa compras de roupa são mais por paixão, desejo. Não é como um eletrodoméstico, por exemplo, que a gente vai lá, precisa e compra. Com a roupa não é assim. Normalmente você tava passeando, viu e comprou. Mas não combina com nada, não tem onde usar, não combina comigo. A roupa pode ser linda. Mas linda lá na loja.

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