“É preciso coragem”: obstáculos do varejo de moda

720 mil: esse é o número de negócios voltados para o varejo de moda existentes no Brasil. Só no Rio Grande do Sul há mais de 56 mil desses estabelecimentos. Das pequenas lojas de bairro às grandes marcas de fast fashion, esse mercado é pautado por desafios, incertezas e muitas mudanças – seja em função da moda, seja em função da economia.

A fim de compreender quais os obstáculos que enfrenta hoje o empreendedor que decide se inserir no varejo têxtil, conversamos com Priscila Zanetti, uma das sócias da Oi Gracia. A marca de vestidos possui duas lojas em Porto Alegre e aposta na aproximação às consumidoras para se firmar nesse cenário.

 

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Oi Gracia no Bairro Bom Fim, em Porto Alegre

 

Priscila conta que não foi exatamente fácil. “Sou publicitária e a minha sócia Fernanda Casa Nova é designer. Então a gente não tinha conhecimento de administração. Foi preciso contar com muitas ajudas e agir de maneira mais intuitiva do que planejada”. Fábio Krieger, gerente de Comércio e Serviços do SEBRAE-RS, ressalta um elemento importante nessa etapa.  “A loja física deve transmitir a personalidade dessa marca, elaborando estratégias de divulgação para conquistar clientes. E esse processo pode ser lento.”

De fato, a trajetória da Oi Gracia demonstra a baixa velocidade do processo: enquanto a primeira loja completa 3 anos, a confecção dos vestidos já existe há quase cinco. Hoje presente nos bairros Bom Fim e Cidade Baixa, a marca conseguiu criar certa visibilidade nos primeiros anos de vida apostando nas feiras locais e na proximidade às consumidoras. “Nossa equipe é pequena. Eu cuido de uma loja, a Fernanda da outra, e temos apenas uma estagiária. Isso facilita o processo”. O que Fábio ressalta também entra de acordo com a filosofia de Priscilla e Fernanda. O gerente sustenta: “O consumidor, através de pequenas lojas, tem sua necessidade atual de exclusividade e customização satisfeita através desses empreendedores. A empresa de marca própria pode usar ao seu favor a facilidade de readequação dos produtos próprios de acordo com a resposta do público consumidor”.

Não é só a exclusividade das estampas que coloca a produção da Oi Gracia próxima das perspectivas levantadas pelo consultor do SEBRAE. Um dos diferenciais é a possibilidade de abarcar diferentes biotipos em suas modelagens: “A gente tenta cada vez mais se posicionar como uma marca pra diferentes tipos de mulheres. Todos os vestidos são tamanho único, mas fazemos peças sobre medida pelo mesmo preço, atendendo as diversas mulheres que nem sempre encontram seu tamanho em outros lugares.”

 

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Ateliê e loja da marca no bairro Cidade Baixa

 

“Tem dias que a gente vende horrores e isso nos anima muito. Há outros em que a loja passa horas vazia”, lembra Priscilla. As incertezas do mercado são muitas e, como Fábio Krueger ressalta, é necessário muito planejamento e disponibilidade em investir. A publicitária levanta ainda outro fator crucial. “Acima de qualquer coisa, é preciso de coragem. A gente lida muito com instabilidade e nunca sabe como será o próximo mês. É impossível ser empreendedor sem ter um pouco de coragem”, finaliza.

 

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