Em três anos, a sua estratégia de negócios já estará ultrapassada, mostra Euromonitor

Os lojistas que não perceberem as mudanças de paradigmas no varejo e as oportunidades que elas oferecem correm o sério risco de ficarem ultrapassados. É o que mostram números apresentados pela Euromonitor nesta quarta-feira (15), durante o Fórum E-Commerce Brasil 2018.

Segundo Amanda Bourlier, consultora de Pesquisa da empresa, as mudanças não levarão tanto tempo para acontecer de forma estrutural. “A maior parte das estratégias de três anos atrás será diferente das estratégias nos próximos três anos”, cravou a especialista.

Para Amanda Bourlier, lojas brasileiras precisam acertar melhor as suas estratégias e encontrar o foco certo de atuação

 

O relatório “Novos conceitos no varejo digital no Brasil América Latina e Estados Unidos” mostra que a transformação já começou. De acordo com ele, 80% dos internautas brasileiros acessam a internet todos os dias.

Além disso, a quantidade de consumidores no mundo procurando formas de tornar suas vidas mais práticas – incluindo vendas online – chegou à casa dos 70% em 2016. Mesmo o próprio e-commerce, hoje, é completamente diferente se comparado há poucos anos.

“Clientes estão buscando simplicidade. Então, considere a possibilidade de oferecer serviços que façam as pessoas terem mais tempo para aproveitar a vida”, sugeriu Bourlier.

Dessa forma, uma grande janela se abre para os lojistas que entenderem essa mudança. Isso porque, considerando que toda a população brasileira deve estar conectada à internet por telefone em 2022, segundo a Euromonitor, o cliente não “vai para casa” depois de adquirir um produto. Ele sempre está em contato com as marcas que ele ama, e essa relação continua muito após uma compra.

Omnichannel
Um bom exemplo desse comportamento se reflete na multiplicação das experiências que cruzam informações do online e do offline para oferecer um processo de compra sem ruídos.

Cuidar bem da loja física ganha ainda mais importância quando os dados mostram que menos de 10% das compras no Brasil são feitas pela internet.

Isso não significa, porém, que o meio online deva ser descartado. Muito menos o físico. “Mesmo que os consumidores comprem pessoalmente, eles estão atuando digitalmente em outros momentos [na hora de pesquisar um produto, por exemplo]”, afirmou a especialista da Euromonitor. “Se você conseguir oferecer mais experiências online do que apenas a compra, será importante para a sua loja”, opinou.

Mesmo assim, oferecer experiências assim são um grande desafio, e mesmo as grandes empresas encontram dificuldades pelo caminho.

No México, 10% das compras relacionadas a Nespresso eram feitas pela internet – incluindo cápsulas, acessórios e as máquinas em si. Sabendo disso, a Nestlé aumentou a sua presença digital no país, mesmo que isso não significasse fazer as vendas online crescerem.

“Agora, quando uma pessoa for ao supermercado e precisar comprar uma cápsula, vai lembrar da Nestlé, porque eles estão presentes digitalmente em diversos lugares”, explicou Amanda Bourlier.

Outro bom exemplo é a plataforma AskAnna. Ela permite a alguém tirar fotos enquanto experimenta roupas e enviá-las a um especialista, em tempo real, para pedir dicas. De acordo com um estudo da marca, lojas do segmento de moda perdem até 30% das vendas por não oferecerem uma experiência como essa.

Mobile
Considerados o futuro não só do varejo, mas da internet, os dispositivos móveis oferecem, em média, 12 principais ferramentas, como realidade aumentada, realidade virtual e gamificação (veja na foto abaixo).

Apesar vasta gama de opções, Bourlier recomenda resistir à tentação de oferecer cada uma dessas experiências. “Eu não conheço nenhuma empresa que ofereça todas essas ferramentas, e nem acho que seja saudável. E, se você estiver começando agora [no mundo mobile] e precisa focar algumas dessas features, foque em busca e pagamentos”, sugeriu.

Resumo das principais ferramentas no mobile

Caminho livre à frente
Apesar do momento delicado pelo qual o Brasil passa – saindo de uma crise econômica e enfrentando incertezas políticas -, os números da Euromonitor dão esperanças aos varejistas nacionais.

Segundo a pesquisa, o PIB brasileiro deve continuar crescendo até o patamar médio da América Latina. A CARG (Taxa Composta Anual de Crescimento, em português) nos próximos cinco anos deve saltar para quase 4%, bem acima do desempenho de Argentina e México, dois dos países latinos mais economicamente desenvolvidos na região.

Na opinião de Amanda Bourlier, inovação e boas ideias não faltam aos varejistas brasileiros. “O que falta no Brasil é entender quais são os problemas e como consertá-los. Não é só tentar alcançar a maior quantidade de clientes, mas entender as suas necessidades e agir nelas”, concluiu.

 

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