Fernanda Yamamoto fala sobre a sua nova coleção

Em sua nova coleção, Fernanda Yamamoto deu um mergulho no passado. Buscando novas referências, acabou no Cariri Paraibano, um lugar onde a terra seca, castigada pela falta de chuvas, contrasta com a beleza dos saberes e fazeres manuais.

Por lá, a estilista encontrou inspiração na renda, prática antiga que é levada de geração em geração de mulheres que desfiam o tempo em linhas alvas como as nuvens do céu.

Em conversa com o IBB, Fernanda, que mostra o resultado desse trabalho na São Paulo Fashion Week nesta quinta (22), contou um pouco sobre a importância dessa busca por elementos brasileiros na moda hoje, e como esse pensamento pode respingar na produção e na criação.

 

A sua nova coleção adicionou a renda do Cariri como um dos pontos altos das peças. Por quê você buscou trazer esses antigos fazeres brasileiros na moda atual?

Eu acho que é isso que nos dá singularidade. A gente vive um momento onde tudo é padronizado, as coisas tendem a ser muito iguais, e nós temos que buscar o que é brasileiro — o que existe de único. O que é esse jeitinho brasileiro? Como traduzir isso? Uma das formas é resgatar essa cultura, essas tradições.

 

renda

 

Qual a importância desse pensamento no momento atual que a moda vive?

É fundamental. A gente vive um momento de repensar mesmo: essa moda fast fashion, o descartável, o sem história…Vamos trazer o que existe de mais autêntico, um tempo novo, o fazer manual, e essas tradições.

 

E como esse resgate modifica o seu processo de produção? 

A gente se cerca de estratégias que às vezes não são pensadas mas acabam acontecendo. O trabalho manual, uma estrutura não industrial, é um caminho que eu acredito pessoalmente. Claro que não significa que é o caminho certo. Isso que a gente tem que ter a consciência: existe o mercado, existem as grandes estruturas, mas existe uma reflexão… Isso que eu questiono.

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