Gigante da fast fashion, H&M lança coleção feita de resto de frutas e alga

Gigante da fast fashion, H&M lança coleção feita de resto de frutas e alga 29Abr
Moda

São Paulo – A rede de fast-fashion H&M vai lançar no dia 11 de abril uma nova linha de roupas feitas com materiais ecológicos, que incluem tecidos fabricados a partir de folhas de abacaxi, cascas de laranja e algas.

Presente em mais de 69 mercados e com mais de 4800 lojas, a rede sueca faz da inovação uma importante aliada para estimular mudanças no setor. Segundo a revista Vogue, três materiais serão utilizados na confeição das peças: piñatex, fibra laranja e espuma BLOOM. E há muita inovação por trás deles.

Feito a partir da fibra de folhas de abacaxi, o tecido de piñatex atuará como alternativa para o uso de couro. A empresa fabricante dessa matéria-prima (Ananas Anam Ltd) explica em seu site que a fibra é geralmente queimada ou descartada depois que a fruta é colhida. Assim, seu reaproveitamento para fins fabris dá aos agricultores uma renda adicional, conferindo ao piñatex uma chancela de responsabilidade ambiental e social.

Produzida pela empresa italiana Orange Fiber, a fibra de laranja também é um subproduto da produção da fruta. Ela é sintetizada a partir das cascas de laranjas usadas na indústria de sucos e que seriam jogadas fora. Os tecidos são formados por um fio de celulose semelhante à seda que pode se misturar com outros materiais, conferindo sensação suave e sedosa ao toque, descreve a empresa em seu site.

O terceiro material de origem sustentável, o BLOOM Foam, é uma espuma feita de biomassa de algas, que aparecerá nos sapatos da nova coleção. Em geral, as solas convencionais são feitas de derivados de petróleo, tendo uma origem fóssil e poluente. De acordo com a BLOOM Foam, sapatos feitos com o seu material evitam que o equivalente a 225 garrafas plásticas de água retornem para o ambiente.

A nova coleção, batizada de H&M Conscious Exclusive, terá um preço mais elevado, entre 25 e 300 dólares, e trará desde calças de cintura alta e terninhos a vestidos e botas de vaqueiro de patchwork. Outros materiais utilizados na coleção incluem poliéster reciclado, algodão orgânico, linho orgânico, seda orgânica, plástico, vidro e prata reciclados.

Essa não é a primeira investida da empresa com materiais ecológicos. Em 2012, a marca lançou sua primeira coleção “verde”, onde todas as peças foram feitas com algodão orgânico, cânhamo (fibra da maconha) e poliéster reciclado. Outras oito surgiram desde então, incluindo a atual.

 

Um guarda-roupa indigesto para o Planeta

Como outras investidas da gigante da moda, a nona coleção busca confrontar um dos maiores problemas da indústria fashion: a geração de resíduos. De um lado, a produção de roupas demanda recursos naturais em níveis colossais, como água e energia, e de outro, gera montanhas de lixo.

De acordo com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a indústria da moda rápida contribui com aproximadamente 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa e consome mais energia do que as indústrias de aviação e transporte combinadas. Recursos que vão parar no lixo: 85% dos produtos têxteis acabam em aterros sanitários, segundo a ONU. Para agravar, o setor produz 20% de toda a água residual gerada por processos fabris, carregada de substâncias químicas nocivas utilizadas no tingimento.

Todo esse ciclo de produção e descarte de roupas acontece no curto espaço de tempo imposto pela lógica do negócio de fast fashion, com varejistas que chegam a lançar mais de 12 coleções ao ano. Nesse contexto, materiais de origem ecológica e biodegradáveis como os da coleção da H&M aparecem como substitutos menos agressivos ao meio ambiente, tanto na sua origem quanto no descarte. Ainda que se trate de coleções limitadas, é um modelo que pode amplificar o debate sobre sustentabilidade na moda e inspirar a indústria como um todo a buscar soluções escaláveis.

De acordo com a H&M, 57% de todos os materiais usados ​​pelo grupo são orgânicos, reciclados ou de origem sustentável. Quando se considera apenas o algodão, 95% do insumo usado nas coleções da marca é reciclado ou de origem sustentável (produzido de forma orgânica ou com menor aplicação de defensivos agrícolas). A meta da marca é aumentar esse percentual a cada ano até alcançar 100% de materiais de origem sustentável até 2030. Agora, é esperar para ver se o resto do mercado da fast fashion seguirá o exemplo.

 

Fonte: Exame

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