Inquietação de designer gera frutos sustentáveis

Não enxergar um nicho, e sim uma reflexão. A partir de uma crítica ao mercado atual, a designer Sandra Stein criou a Lolita Pimenta. “Minha marca surgiu justamente pela minha indignação com a cópia e a mesmice do mercado, onde tudo me parecia igual. Como se as pessoas tivessem que andar uniformizadas”.

Com couro na mão e uma ideia sustentável na cabeça, ela cria sapatos exclusivos — sejam eles sob medida ou não. Batemos um papo com a proprietária, que falou sobre inspirações, mercado e comportamento.

 

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Em seu site, você cita que a sua marca é feita para “mulheres que, ​assim como eu, compram mais do que um produto. Elas querem algo que se identifiquem”. O que isso significa?

A moda pra mim é uma forma de expressão. Ela expressa um sentimento, estado de espírito, cultura, comportamento, etc. Nós externamos o que sentimos ou o que pretendemos. É um cartão de visitas ou um atributo para uma conquista, por exemplo. As pessoas cada vez mais vão entender que são únicas. E buscarão na moda outros meios para ser diferente.
E como isso se aplica na rotina da sua marca?

Nós produzimos sapatos por encomenda quando uma cliente quer um material ou uma cor diferente.
Recentemente confeccionamos um sapato que ficou a “cara” da noiva. Mais do que isso: era a história dela. Ele foi feito com tecido que foi do vestido de casamento da mãe, e bordamos pingentes de pulseiras, renda , correntes, laços e elementos importantes da sua infância para um momento igualmente importante na sua vida como mulher.

 

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A maior parte do seu processo é feito à mão.  O que você acha do comportamento que vemos hoje, onde o consumidor quer se aproximar de quem produz o que ele usa?

Nós temos processos à máquina, mas apenas os que não podem ser feitos à mão. E mesmo assim, precisam de um operador usando a máquina. Minha mãe era artesã, meu pai modelista de calçados. Então está muito em mim. Penso que há um retorno comportamental nesse sentido. As pessoas querem resgatar esse carinho que é o feito à mão. Também é uma forma de oferecer produtos diferenciados. Não me agrada a frieza do sistema de produtos injetados em série, em larga escala.


Como funciona o seu processo de produção?

Trabalhamos com os melhores fornecedores de couro da região do Vale do Paranhana,  para que a gente tenha certeza da qualidade e procedência do couro. Por outro lado garimpamos couros e tecidos (não trabalhamos com cabedais sintéticos ) que são excedentes de grandes empresas, descartadas por estarem “fora de moda”. Esses materiais nós usamos na composição de produtos em edições limitadas e exclusivas: são fabricados de quatro a 12 pares. Esse processo nos possibilita oferecer um diferencial sem aumentar o custo do produto. E ao mesmo tempo, transformamos um material que iria para o lixo.

 

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Onde você busca as suas inspirações para coleções?

Busco inspiração pesquisando de uma maneira bem global, analisando principalmente a tendência comportamental. Pesquiso muito nossas clientes, o que elas querem. E claro, o que eu gosto, o que eu gostaria de ter pra mim. As coleções são feitas do meu feeling de mulher para a figura mulher, com suas multi facetas. Lolitas, como carinhosamente chamamos nossas clientes, significa todas as mulheres que usam de suas artimanhas femininas para serem e existirem.

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