João Pimenta reflete sobre 3 antagonismos da moda

João Pimenta acredita em uma moda de caminho inverso: avesso à tendências, gêneros e consumismo desenfreado.

O estilista, que recentemente assumiu a direção criativa da West Coast, possui um discurso forte e alinhado com os pilares do IBB. Em um bate-papo, João desmistifica arte, valor e identidade.

 

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Moda x Arte

Onde a moda mais se aproxima da arte é na questão de fazer refletir. Pensar. Isso é o maior link que a moda tem com a arte. Mas eu não acho que uma seja a outra. Eu não consigo achar que você tem que desenvolver uma roupa pra ficar na parede. Uma roupa, um calçado é feito pro corpo.

É muito importante que a gente saiba que o “fazer refletir” é a função da arte. E a roupa consegue fazer isso. Às vezes a gente vê um visual e a roupa te remete à ou te faz imaginar coisas. A aproximação que a moda tem com a arte é só essa. De te fazer pensar. Mas não acho que ela seja arte. A arte tem uma função de parede e não de uso. A roupa é rua. Mas é muito bacana que ela consiga ter essas características.

 

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Preço x Valor

Eu acredito muito que num futuro muito próximo as pessoas vão passar a valorizar muito mais uma roupa feita de outra forma. Sempre questiono a mão-de-obra escrava. Por que uma roupa de manufatura, feita à mão, ela tem um valor diferente? Porque ela levou mais tempo para ser feita. Ela ficou muito mais tempo em contato com a pessoa que a produziu. A energia daquela pessoa tá impregnada naquele peça. 

 

 

Você deveria comprar peças que você quer ficar por muito tempo. Aquilo é a sua pele, a sua identidade

 

 

Tendência x Novas Formas de Consumo

Eu acho que a gente viveu até aqui essa questão do fast fashion. Então parecia tudo muito fácil: tava na passarela, amanhã na loja — e barato. Aí foi se descobrindo como isso é feito, e de que forma isso chega pra gente tão barato.

A gente consome roupas e calçados seguindo tendência. Hoje é rosa, amanhã é azul e você joga fora e quer outro. Você deveria comprar peças que você quer ficar por muito tempo. Aquilo é a sua pele, a sua identidade.

Quando você se veste, você você está tentando passar o que você é. Se as pessoas atentarem que quantidade não é importante, e sim a qualidade, elas vão passar a exigir mais.

 

Crédito fotos desfile: Marcelo Soubhia e Daniel Deak / Ag. Fotosite

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