Marca faz jóias com material próprio — e sustentável

Fazer jóias exuberantes, mas compactas e de fácil transporte. Com essa ideia em mente, Gabi Monteiro colocou em prática a marca Exímia. Ela produz os acessórios com um material próprio, fruto de uma pesquisa nascida da sala de aula da PUC-RJ.

“A pesquisa durou um ano e meio, onde chegamos na combinação do Papel Kraft com o Recouro. O papel Kraft é ideal por ter fibras mais resistentes que o papel sulfite. Já o Recouro provém da sobra industrial do couro, uma espécie de MDF. Compramos ele em lojas que vendem materiais derivados do couro”, conta a designer.

Em um papo, falamos sobre sustentabilidade, customização e a importância de uma identidade.

 

interna10

 

Você acha que esse é o futuro da produção: pesquisar (e usar) novos materiais sustentáveis?

É necessária a investigação de novos materiais por parte do mercado da moda. Defendo que além do uso de materiais não convencionais, temos que  pensar em novos modelos de venda do produto. Já existem roupas sendo feitas em impressão em 3D. Isso possibilita que o consumidor compre de qualquer lugar do mundo e imprima onde esteja, o que pode evitar o sobrepeso das malas em caso de viagem, por exemplo.

O importante dessa questão sustentável é ter o processo de produção consciente, e usar os materiais de maneira consciente. No caso da Exímia, observar e entender de que como a minha produção de jóias de material não convencional impacta e interfere no meio ambiente e sistematicamente na sociedade.

 

 

O seu material amplia as opções de uso dos acessórios — fazendo dele único, dependente de quem usa. Você acha que esse é o futuro da moda? Uma “customização” feita por parte do usuário?

Houve um boom na escala de produção e parte significante das marcas produzem em grandes quantidades, e por conta disso hoje consumismo de forma geral o fast fashion.  Isso fez com que fosse estipulada uma relação impessoal com o consumidor, e o excluindo do processo de construção desse produto de moda.

Acho que atualmente nem todos estão dispostos a customizar ou participar desse processo de construção de um produto, por não terem tempo ou por simplesmente não saberem como fazer isso, pois já estão condicionados a apenas consumir e não contestar o que estão consumindo.Acredito sim que a maneira de fazer moda ficará cada vez mais colaborativa, as pessoas serão envolvidas não apenas pelo desejo de consumo, mas por um propósito.

 

 

O design não é algo que deva ser colocado em um pedestal, […] afinal criamos para o mundo

 

 

Tempos atrás conversamos com uma de nossas consultoras sobre customização e como trazer o consumidor pra dentro da produção aproxima ele da marca. Ela respondeu com uma frase de Benjamin Franklin: “Diga-me e eu esquecerei, mostre-me e talvez eu lembre, envolva-me e eu entenderei”, justificando a necessidade de estratégia para essa aproximação. Esse perfil semelhante que vocês tem, de ter o consumidor próximo, é natural ou de certa forma uma estratégia? Como isso aconteceu?

Isso não nasceu de forma estratégica. Antes de criar qualquer produto penso no que eu gostaria de consumir, o por que isso seria atraente para mim.  Acredito que todos tem a capacidade de criar,  basta se permitir. O design não é algo que deva ser colocado em um pedestal para excluir as pessoas, devemos aproximar, fazer com que seja um processo participativo, afinal criamos  pro mundo. A  Exímia tem essa dinâmica porque acreditamos num processo colaborativo, que envolve a concepção do produto,  criação das imagens que farão parte da campanha, até  chegar nas mãos do cliente  que tem a possibilidade de escolhe como irá usar,  e assim atribui o valor que quiser a jóia.

 

interna1

 

Por que é importante ser único hoje?

Com a crise econômica, o crescente número de marcas novas e de pequeno porte que não tem seu sistema operacional engessado, e conseguem dialogar  com o consumidor , mostram que é possível confirmar que a dinâmica de produção em grande escala está em declínio, as marcas de grande porte fazem cada vez mais esforço pra vender, e o consumidor não se reconhece naquele produto.

Ou seja: eu como consumidora quero me identificar com o que está sendo vendido, quero me ver representada, o que não está ligado diretamente a questão de eu me sentir única, mas sim ao fato de eu  não estar  interessada em marcas que já me oferecem um discurso pronto e ditam o que é bom para eu usar.

 

VER TODOS OS POSTS

POSTS RELACIONADOS