Marcelo Rosenbaum fala sobre brasilidade

Verão e carnaval são períodos em que o espírito brasileiro se manifesta intensamente. Dos pequenos blocos de rua até a repercussão internacional dos grandes desfiles, assistimos a um diálogo entre regiões, culturas e influências que compõem nosso território.

Nesse clima, conversamos com Marcelo Rosenbaum, que tem como um dos pilares do seu trabalho a investigação e valorização da brasilidade. O designer fala sobre a essência do nosso país, e a importância de conhecer o “Brasil profundo” – a pluralidade de expressões que vão além do litoral e dos grandes centros urbanos.

 

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O que significa ser brasileiro?

Ser brasileiro é essa mistura cultural. O Brasil e o seu tamanho continental faz com que não dê pra pensá-lo como uma coisa só. O importante, então, são as trocas.

 

É possível pensar o design como transformação social, potencial de mudança?

Eu não acho, eu tenho quase certeza.  É um potencial, uma ferramenta gigantesca de movimentar a economia do Brasil. E falar em Brasil é falar em um país de tamanho continental, não só sua costa. Quando a gente vai pra esse Brasil profundo, vemos muita identidade cultural, muito ser humano. Nossa diversidade é gigante e observar essas diferentes comunidades é perceber que tem beleza em tudo que é canto. Junto a essa comunidade, é preciso trabalhar  os saberes existentes e colocar isso no mercado,  internacional inclusive.

 

E como fazer isso na prática?

Design não é só objeto, mas a catalisação de potenciais para redesenhar o novo mundo. Design é desígnio, não só o desenho, mas estratégia e pensamento sistêmico. E mais do que geração de renda, é pensar no desenvolvimento local. Algumas pessoas quando desenham uma casa já pensam em como ela vai sair na revista, e não em desenvolver uma casa feita pra morar. Toda postura é válida, mas eu prefiro provocar uma consciência social maior.

 

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O que se pode extrair de expressões populares que vão além de uma arte “palpável” como o design? O tecnobrega, o funk carioca, etc?

Considero como um surto de liberdade, de criatividade. Me inspiro muito nisso, nesse tropicalismo novo. O brasileiro tá lá, nesse movimento que dá voz às pessoas. É importante também não olhar essas expressões populares como exóticas, da mesma forma que fazemos com os índios, ou como os estrangeiros olham pro Brasil: caótico, exótico e erótico. A gente não é isso. Essas expressões são saberes, potenciais criativos.

 

 

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