Materiais funcionais agitam moda

Materiais funcionais agitam moda 24Nov
Moda

A feira de têxteis funcionais de Portland juntou os principais players na área dos materiais, assim como novas empresas que procuram revolicionar a indústria com as suas mais recentes inovações. Da biodegradabilidade às propriedades funcionais e alternativas a matérias-primas virgens, há cinco tendências que se destacam.

A sustentabilidade esteve na cabeça de muitos na Functional Fabric Fair 2019, com os produtores de têxteis de todo o mundo a falarem da necessidade de produtos feitos com materiais reciclados, renováveis e circulares.

A eficiência esteve igualmente em foco, com os produtores a procurarem encontrar processos de produção que poupem tempo e energia que, ao mesmo tempo, possam ajudar a reduzir o tempo necessário para chegarem ao mercado. O Sourcing Journal fez uma seleção das cinco tendências que mais deram que falar no evento.

 

Biodegradabilidade

Depois de dois anos de investigação e desenvolvimento, a Schoeller lançou a linha Pro Earth com poliéster reciclado e biodegradável.

Feitas a partir de garrafas de plástico pós-consumo, as fibras Pro Earth são imbuídas de um aditivo especial, desenvolvido pela empresa, durante o processo de fiação. Quando as peças de vestuário chegam aos aterros no fim do seu ciclo de vida, micróbios e bactérias anaeróbicas são atraídos para o acelerador químico no fio, catalisando a sua decomposição. Quando o material é decomposto, ficam apenas os produtos derivados não-tóxicos, o metano e a biomassa.


Os testes revelaram que o vestuário se degrada a uma taxa de 25% ao longo de 270 dias, revelou ao Sourcing Journal Christine Huebner, responsável de relações com o cliente da Schoeller.

A gama, que surge numa variedade de pesos, acabamentos e elasticidades, pode ser aplicada a virtualmente todo o tipo de vestuário, dos fatos mais clássicos ao athleisure. «Nunca vi tantas marcas a pedirem amostras num curto período de tempo», explicou Huebner. «Isso mostra que o interesse realmente existe», acrescentou.

 

Enchimento alternativo

O enchimento com penugem tem sido um recurso frequentemente usado pelas indústrias de outdoor e performance, mas as questões levantadas sobre o seu aprovisionamento atiçaram a ira dos ativistas dos direitos dos animais.

Especialistas da indústria têm trabalhado em soluções que tragam a mesma sensação de aquecimento e suavidade aos casacos, coletes e sacos-cama com enchimento, sem os problemas éticos que surgem com o depenar de patos e gansos.

A empresa especialista em isolamentos Thermore lançou a sua fibra EcoDown em 2018, feita a partir de PET reciclado, que rapidamente se tornou num bestseller. Cada casaco com Thermore retira cerca de 10 garrafas de plástico pós-consumo de circulação.

Já a empresa francesa Re:Down extrai as penas de artigos pós-consumo, como almofadas, sacos-cama e edredões. Estes artigos, que são doados a organizações de caridade por toda a Europa, não podem ser colocados de novo no mercado devido a preocupações de higiene. A Re:Down desfaz estas peças, esteriliza e seleciona a penugem e as penas. O novo enchimento, que parece novo, é vendido a marcas como a H&M, a Patagonia e a Everlane.


Além disso, qualquer resíduo têxtil que surja dos bens de consumo doados é pulverizado e reconstituído para criar isolamento industrial, explicou Tae Hwang, cofundador da empresa. Penas mais afiadas que não são desejadas para utilização como enchimento são também moídas, indicou, explicando que a biomassa resultante, rica em nitrogénio, é ideal para fertilizante.

 

Cânhamo de performance

As propriedades de gestão de humidade e secagem rápida têm sido os trunfos do negócio da drirelease desde o início e agora a empresa está a introduzir uma nova adição ao seu reportório: cânhamo de performance.

«Isto é novo», afirmou Darlene Dumaran, responsável de desenvolvimento da empresa na Costa Oeste dos EUA, acrescentando que o novo drirelease Hemp tem-se mostrado popular junto de marcas de outdoor de performance e de athleisure.

«O cânhamo tem sido explorado pelos têxteis devido às suas fibras com excelente tenacidade e durabilidade», apontou Dumaran ao Sourcing Journal. A planta mimetiza a suavidade do algodão e é fácil de tingir, acrescentou, ao mesmo tempo que demonstra uma elevada resistência ao encolhimento e ao pilling.

Os tecidos drirelease Hemp afastam a humidade da superfície da pele e secam rapidamente, por isso o utilizador não fica com roupa molhada colada à pele após uma escalada ou uma sessão de “hot yoga” (uma versão de ioga praticada numa sala aquecida até aos 40 °C). O segredo é a conjugação de fibras hidrofílicas, que absorvem a água, e a hidrofóbicas, que repelem a humidade. O cânhamo atrai a humidade, enquanto um fio de poliéster reciclado a afasta da pele do utilizador.

Embora o drirelease Hemp seja cerca de 20% mais caro do que as opções tradicionais à base de algodão, as marcas estão a fazer pedidos deste material porque é mais eficiente em termos de água do que o algodão. Embora a drirelease aprovisione o cânhamo na China, a marca afirma que a indústria crescente de canábis nos EUA pode representar oportunidades de sourcing no futuro.

 

Elasticidade mecânica

O vestuário de performance apoiou-se, historicamente, em elastano para as suas propriedades de elasticidade. Mas agora os produtores estão a explorar diferentes combinações e configurações de fibra para dar ao activewear a flexibilidade e resiliência que os consumidores desejam.


A japonesa Toray Industries lançou recentemente o tecido Primeflex, uma opção leve sem elastano que pode ser feita com poliamida ou poliéster. Em vez de integrar um componente elástico no fio, as fibras Primeflex são formadas com uma forma em espiral, como uma mola, permitindo-lhes expandir e contrair com o movimento.

O vice-presidente executivo da Toray, Kentaro Hara, indicou que o movimento «mecânico» dá uma elasticidade e recuperação superior aos tecidos tradicionais com elastano.

Também o tecido S. Leisure da Signtex, feito com fibras de poliéster helicoidais, foi criado com a mesma filosofia. Chris Chiang, diretor de vendas da empresa, explicou que a fibra tem melhor solidez de cor, resistência à tensão e alongamento e propriedades de secagem rápida do que outros têxteis com elastano no mercado.

 

Propriedades de arrefecimento

O nome dá uma pista: a Brrr está no negócio de manter os utilizadores frescos, mesmo durante o exercício físico intenso. A empresa têxtil sediada na Geórgia, nos EUA, está a promover a tecnologia Triple Chill Effect que torna os têxteis frescos ao toque.

Minerais naturais de arrefecimento são integrados nos fios durante o processo de fiação para «arrefecimento imediato e contínuo», indicou a marca em comunicado. Como a tecnologia é integrada diretamente nas fibras, não se desvanece nem sai com a lavagem.


A Brrr vende a sua tecnologia patenteada tanto em malha como fios, com misturas diferentes que podem incluir poliéster, poliamida, denim e viscose. As malhas da empresa são também pensadas para afastarem a humidade e secarem rapidamente, tendo ainda o beneficio da proteção UV, proporcionada pelos minerais incorporados.

 

Fonte: Portugal Textil

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