Moda brasileira lá fora: entrevista com Walter Rodrigues

Walter Rodrigues é um dos principais nomes da moda brasileira. Em sua bagagem, Walter leva a trajetória internacional de uma marca própria, o envolvimento com projetos sociais de empreendedorismo no Brasil e a parceria criativa com diversas marcas, como a fast fashion C&A.

Em um bate-papo com o IBB, o estilista conta um pouco mais sobre sua experiência no exterior e o papel da moda brasileira em cenário mundial. Crítico em relação às produções nacionais, Walter ressalta: “Ainda não sabemos traduzir nosso jeito de viver em produtos”.

interna

 

Qual a grande diferença que você percebe entre a forma que a moda brasileira é vista aqui e lá fora?

Primeiro seria muito importante entender o que é “moda brasileira”. Não acredito que o consumidor local esteja preocupado com isso. Ele quer algo bonito, com bons preços e que caia bem, independentemente se for mulher ou homem. Eles não estão preocupados com a identidade de produto, mas com o status da marca.

Já os “gringos” nos veem pelo viés do exótico, resultado das informações levadas desde do século XVI para o hemisfério norte. Assim, quanto mais colorido, mais sensual e casual forem os produtos, mais encantamento eles produzirão.

 

Esse panorama vem mudando?

Infelizmente, acredito que não. Por mais que tenhamos projetos de design para empresas de todos os portes, a zona de conforto da cópia impera e banaliza tudo, achatando os produtos na linha do preço final –  que é o que o diferenciará dos outros. Aqui temos empresários estilistas que fazem cópias, assinam seus nomes e ainda evidenciam o “feito à mão”, iludindo o consumidor que paga mais por um produto sem o valor real do design.

 

deveríamos exportar mais as nossas experiências

 

Como a gente pode esboçar uma solução para esse cenário?

Há detalhes pouco aproveitados por marcas brasileiras que teimam em exportar aquilo que copiaram das vitrines europeias.  Numa luta constante contra o tempo, temos um vai e vem incrível que só resulta em produtos baratos. Acabamos sempre emplacando commodities e nunca produtos com um valor percebido, um produto com design.

Deixamos de lado nossa vivência de país tropical e nosso expertise em criar produtos para o calor, por exemplo. Deveríamos exportar mais as nossas experiências. Ainda não sabemos traduzir nosso jeito de viver em produtos.

 

 

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