Moda contemporânea: da referência ao conceito

Muitas vezes no atual universo da moda observamos a ausência de uma reflexão mais profunda: seja na aplicação de termos de maneira equivocada ou na obviedade ao utilizar referências. Decifrar essas particularidades e entender como aplicá-las é o que motivou nosso bate-papo com Geni Rodio. Professora e especialista em diagnóstico de tendências e coleções, ela ressalta: “As pessoas vão muito no clichê ao pensar a brasilidade”.

Geni  propõe uma busca à originalidade ao pesquisar tendências, principalmente quando tentamos imprimir a cultura brasileira dentro da moda. “São sempre os pássaros, a arara, o tucano, o jacaré. Não que isso não tenha valor, mas é preciso fazer uma interpretação que também traga a identidade de cada marca junto.”

 

interna

 

Pensando em alguns caminhos possíveis no Brasil, a professora sugere dois exemplos: “O figurino de Lampião e Maria Bonita e suas cores maravilhosas. A indumentária do gaúcho também, não só seus detalhes, mas a própria modelagem das roupas”, finaliza. Em um contexto mundial, a marca japonesa Comme des Garçons é o exemplo ideal que alia autoralidade e o cuidado com as inspirações que servem de referência. “Eles não perdem o DNA japonês e, a partir de um rigor minimalista e da fluidez visual, colocam modernidade nas peças”.

Mas o que é exatamente ser autoral? “Existe uma confusão entre os termos conceito, autoral e conceitual, principalmente entre marcas que estão começando. O conceito é a essência, algo que existe em toda marca”, comenta Geni. “Decodificar e aplicar esse conceito é tornar-se autoral. Isso não significa dizer que algo autoral precisa carregar aquela ideia do conceitual  como uma moda de difícil acesso”, finaliza.

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