Os desafios da moda verde

Transformar a cara da moda verde é um dos desafios que alguns designers andam chamando de seu. Mudar o imaginário comum de uma moda tediosa para uma prática cheia de atitude e estilo é mais difícil do que parece – e envolve mais do que tendências e tecidos.

Produzir uma moda ética no Brasil hoje muitas vezes custa caro e gera muitos desafios. Mas o resultado pode ser positivo tanto para os olhos quanto para o meio ambiente e a sociedade. Para a designer e empresária Mariana Duda a palavra-chave para uma moda sustentável é responsabilidade: “Você é responsável pela sua coleção, pelo seu colaborador, pela costureira, modelista”.

Mariana é dona da marca Envido, que aposta na união entre design, sustentabilidade e responsabilidade social para criar produtos exclusivos. Essa responsabilidade, como ela mesma explica, vai além do uso do pilar ecológico para defender a sua sustentabilidade. “Não tem como produzir moda verde sem respeitar as pessoas. Nós trabalhamos junto com profissionais e trabalhadores pagam bem, e não terceirizamos a mão de obra, que é local. Além disso, todo nosso material é brasileiro”. A atitude, por mais óbvia que pareça, ainda é escassa na indústria. É o que conta a designer e pesquisadora Luciana Duarte, criadora do site Moda Ética. “Quem faz moda ética no Brasil encontra muita dificuldade em cumprir os requisitos. É muito difícil cumprir a sustentabilidade social, e é dificil competir com fast fashions, por exemplo, por causa da mão de obra barata”.

 

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Acessibilidade

Competir com o mercado “comum” é um desafio que parece pesado – e é. O consumo rápido e, consequentemente, o descarte rápido de peças produzidas sem o pensamento sustentável revelam uma lacuna em ambos os mercados. “Fast fashion estraga mais rápido”, conta Mariana. “O tecido e as costuras são ruins. A moda é muito tendência, os modismos passam rápido. É nesse setor que elas trabalham”. Aí que entra a moda sustentável. “Desenvolvemos materiais orgânicos e biodegradáveis, para que ele se decomponha mais rápido”, completa a empresária.

 

Não tem como produzir moda verde
sem respeitar as pessoas

 

Segundo Luciana, é importante ressaltar que esse público é totalmente oposto. “Quem consome o sustentável, a primeira coisa que quer saber é a matéria. Para consumir o sustentável, tem que saber o que é. Quem consome fast fashion quer a moda de agora. O outro não. Sustentável é atemporal, clássico”.

Além das dificuldades que ambas designers listam acima, ainda existem outras enfrentadas pela moda sustentável. Luciana lembra que é muito difícil ver esse tipo de moda ganhar publicidade. “Você não vê alguma personagem da novela usando moda ética”, brinca. Para a pesquisadora, a moda verde já é acessível inclusive para a classe c, embora ela constitua uma parcela muito pequena no consumo dessa moda. Já para Mariana, o problema vai além do valor – que, ela acredita, também influencia no consumo desses produtos. “Somos um país super rico em matéria-prima, mas temos pouco incentivo do governo para sustentar nossas ideias”.

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