Quem fez as minhas roupas?

Há dois anos, mais de mil pessoas morreram e outras 2500 ficaram feridas em um acidente numa fábrica têxtil em Bangladesh. Desde então, o dia 24 de abril passou a ser o Fashion Revolution Day: um dia mundial de alerta. Afinal, quem está por trás daquilo que vestimos?

Através da hashtag #whomademyclothes (algo como “quem fez as minhas roupas”), a campanha busca humanizar o processo de produção: consumidores registram suas peças e perguntam às marcas quem as produziu, incentivando que se conheça o rosto, as histórias e as condições de trabalho de quem está nas fábricas.

 

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Tatiana Souza, designer e consultora do IBB, explica o fenômeno: “Hoje os consumidores estão buscando construir um relacionamento pautado pela transparência, honestidade, confiança, integridade, respeito e ética. No momento que ele se posiciona desta maneira e busca valores mais humanos, as marcas precisam se preparar para entregar corretamente estes valores.”

No Brasil, algumas empresas já tem isso em mente em sua filosofia. É o caso da marca de camisas Folklore. “A gente projeta, fica sonhando com as peças prontas, as pessoas amando tudo. Mas não somos nós que cortamos, costuramos, caseamos e finalizamos as peças”. Reconhecendo isso, a jornalista e sócia Ana Emília Cardoso ressalta a importância de valorizar esses profissionais: “Uma produção só funciona quando todos estão felizes e empolgados. Em termos práticos, isso se traduz em respeito, incentivo ao crescimento, uma boa remuneração e pensamento de equipe.”

 

Algumas empresas responderam à campanha. É o caso da marca sueca DUNS, que já mostrou alguns de seus funcionários através da hashtag #imadeyourclothes (eu fiz as suas roupas, em tradução livre).

 

Os bons exemplos vão surgindo. Por aqui, Tatiana destaca o Faces do Brasil, grupo criado em 2001 que reúne entidades para promover o modelo de comércio solidário no país, humanizando as etapas de produção. Já Ana Emília relembra uma experiência que presenciou recentemente na Califórnia: “Quando estive no festival SXSW percebi que o movimento pela produção limpa, orgânica e sustentável está muito forte nos Estados Unidos. Há cadeias vendendo alimentos e roupas orgânicas para um público cada vez maior e marcas se apoiam em pilares éticos bastante sólidos. Vi que há luz no fim do túnel.”

 

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