Tecendo alternativas

Um dos objetivos de muitas empresas de moda hoje é conseguir fazer com que todas as etapas de produção sejam sustentáveis. Além da conscientização interna, alguns detalhes práticos entram no caminho. O uso de determinados tecidos, por exemplo, é um desses desafios.

Pensando  no empreendedor que busca tornar essa etapa de produção menos agressiva ao meio ambiente, Giovana Ruppenthal sugere: “É muito importante observar os componentes utilizados para tingir e amaciar os tecidos. Muitos deles são altamente tóxicos, tais como corantes alergênicos, carcinogênicos, metais pesados solúveis e não-solúveis, arsênio, entre outros.”

 

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Com dezesseis anos de experiência em gestão ambiental, a nossa consultora comenta algumas das alternativas viáveis. “Tecidos elaborados com algodão orgânico, feitos a partir do bambu (a planta se desenvolve rápido e não requer pesticidas ou fertilizantes), fibras de proteína do leite e garrafas PET.” Giovana lembra, no entanto, que a sustentabilidade de um tecido atravessa a origem de sua matéria-prima: “É preciso observar como acontece o processo produtivo, quanto a reutilização de água, se há uso de mão-de-obra infantil e como funciona o descarte dos resíduos do processo”.

 

Em busca de uma alternativa 

Nem sempre, no entanto, as opções mais corretas de tecido são as mais economicamente viáveis. Giovana reconhece que por não ter uma procura em larga escala comercial, as fibras e tecidos ideais eles não possuem preço competitivo de mercado. Mesmo assim, é importante pensar que assim como outras matérias-primas, quanto maior o incentivo dos empreendedores, maiores as chances de reverter —ou adaptar — esse cenário.

É o caso da marca portoalegrense Seven Reiss, que busca a sustentabilidade através de adaptações no seu processo de produção e confecção.”O tecido orgânico nacional é mais correto ambientalmente, mas custa muito mais caro no mercado”, explica Bruna Reiss, uma das proprietárias da marca. Pensando nisso, tudo é aproveitado da melhor forma possível: “O que sobra de tecido a gente produz os bolsos, e o que sobra dos bolsos se tornam os colares, assim por diante. […] Sustentabilidade também é isso: encontrar uma solução possível”, finaliza a empresária.

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