Uma moda completamente sustentável é possível?

E se pudéssemos imaginar uma moda completamente consciente quanto à sustentabilidade? A proposta da marca suíça Freitag se aproxima dessa ideia: suas roupas são 100% biodegradáveis. Dispensando o poliéster e o algodão – ambos controversos quando  o assunto é responsabilidade ambiental -, a linha de roupas é desenvolvida com uma fibra vegetal alternativa que se transforma em um possível material de compostagem. Ou seja, no fim de sua vida útil, a roupa toda pode virar adubo.

 

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Especialista em Gestão Ambiental e de Resíduos Sólidos, Giovana Ruppenthal comenta a importância de uma iniciativa como essa: “Este exemplo nos mostra que é possível elaborar um tecido com cuidado desde a extração da matéria-prima, à produção, chegando ao descarte”. Giovana também ressalta que a Freitag não está sozinha nesse objetivo. “Há diversos tecidos elaborados a partir de fibras vegetais, como é o caso da soja, casca de banana, milho e bambu”, comenta. “Nas Filipinas, as pessoas já vêm usando tecido feito a base de casca de abacaxi em suas vestimentas tradicionais, iniciativa levada às passarelas por pesquisadores como a designer espanhola Carmen Hijosa”.

 

Há diversos tecidos elaborados a partir de fibras vegetais, como é o caso da soja, casca de banana, milho e bambu

 

No Brasil, a sustentabilidade pode gerar custos altos, como já apontamos por aqui. Mas Giovana enxerga uma solução: “Os valores de pesquisa, matéria-prima e mão-de-obra elevam os valores dos produtos biodegradáveis e orgânicos. Mas no momento em que começam a ser consumidos por mais pessoas, eles tendem a ficar financeiramente mais acessíveis”.

 

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É preciso lembrar que a sustentabilidade não é apenas uma preocupação ambiental, mas também social. A própria Freitag, além de pensar o descarte do tecido, atravessa a filosofia eco em outras etapas, como o deslocamento da matéria-prima, todo feito em bicicleta pela equipe. “Devemos ficar atentos, pois nem sempre um tecido originário de fibra natural é sustentável: a extração e preparo precisam ser processadas de maneira ética e socialmente justa”, finaliza a especialista.

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